quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Sinto-me como um livro que, por não ser um best-seller, vai passando de pessoa para pessoa e nunca é folheado com ternura, com paciência. Nunca é fechado altas horas da noite entre um parágrafo e outro por conta do sono em excesso, causando sensações fervorosas ao leitor no despertar do seguinte dia, ansioso por saber o desfecho de toda a situação imposta. Sou pesado demais, tenho mil e uma folhas, onde se encontram amores em dias de chuva, sabores que não se distinguem, afetos que não se concretizam e dores que se curam com um pedacinho do céu colado na parede de um quarto. E mesmo assim, ninguém lê. Ninguém se habilita. Sou ignorado por não conter o que as pessoas desejam ler. Por não contar a história da mocinha raptada pelo bandido e salva pelo galã, empilham-me em estantes da forma mais infame que se possa imaginar.Tornei-me só mais um livro azul encardido e com a capa manchada de café que meu último leitor dislexo deixou por cair. Não desperto a curiosidade alheia, interesse ou frenesi. Aparentemente, sou leitura leve e fácil até a página cinco, mas começo a enfadar quando evidencio páginas amareladas, marcas de dedos e dobras entre um capítulo e outro. O desleixo de muitos.Compreendam: eu sou pesado e me ler é um processo árduo, mas, no fim, o tempo gasto é válido.

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